As Cores no Design: Conheça 8 Contribuições para o Design

Introdução

A cor participa da construção simbólica perceptiva de todas as pessoas, porém as pessoas podem sentir essa construção de maneiras diferentes. Um espectador de televisão possui na cor um reforço para o canal de comunicação da informação que ele precisa perceber e entender nos acontecimentos da novela; uma criança ainda não possui toda a paleta de cores por onde a sua cultura transita; mas um idoso não só a possui como a manipula para se comunicar.

Dentro da Teoria da Cor, pode-se estudar a cor sob três aspectos básicos importantes, que se derivam em outros e outros, infinitamente. Um deles ocorre fora do ser humano, isto é, independe de sua vontade. Este é o aspecto da construção física da cor. Muitos designers nem chegam a estudar esse aspecto por achá-lo irrelevante, contudo, é o aspecto crucial para que a percepção visual cromática aconteça, pois se não há luz, não há como a cor aparecer e ser interpretada.

Os outros dois aspectos têm a interferência do ser humano como fator essencial na elaboração simbólica da cor. Diz-se aqui dos aspectos fisiológicos e dos aspectos culturais simbólicos da percepção cromática. Quando os raios atingem os olhos, ocorrem efeitos químicos importantes que influenciam toda a construção perceptiva simbólica.

Os aspectos simbólicos da construção perceptiva cromática são aspectos que os seres humanos participam por se comunicar, por fazerem parte da cultura. Os três aspectos devem ser pensados juntos, isto é, um está inevitavelmente ligado ao outro.

Os aspectos físicos definem a cor como uma sensação percebidas em certas organizações nervosas a partir do estímulo da luz, isto é, a cor seria o resultado da ação da luz sobre os olhos primeiramente. Neste contexto, não se pode afirmar que os objetos possuem suas cores. O que ocorre são raios de luz batendo nos objetos, parte absorvidos, parte refletidos, vindos diretamente para os nossos olhos, que por sua vez são capazes de, por meio de reações químicas e fisiológicas interagir e fazer uma primeira interpretação do resultado da síntese de raios feita pelas propriedades físicas do objeto.

Só se consegue disparar o processo da percepção visual cromática de um objeto porque existe luz sobre ele e porque temos os olhos funcionando como aparelhos receptores destes raios de luz, isto é, a luz é o estímulo onde todo o processo se inicia e os olhos são os aparelhos receptores que decifram o fluxo luminoso, decompondo-o ou alterando-o através da função seletora da retina.

É importante perceber que, além da cor ser propriedade dos objetos, a sua percepção acontece primeiramente porque existem estímulos (luz) e os órgãos receptores capazes de decodificá-los (os olhos). Porém, ainda depois que esses estímulos luminosos sejam primeiramente decifrados e codificados fisiologicamente pela retina, eles encontram a cultura construída coletivamente na memória. Somente a esse processo completo podemos chamar de percepção visual cromática. A cultura ensina a ver, a perceber a cor nos objetos, nos ambientes, nos detalhes e no todo ao mesmo tempo.

Sensação cromática é diferente de percepção cromática. Pode-se chamar sensação da cor apenas quando se considera parte do processo, isto é, quando a luz existente atinge os olhos e esse fluxo luminoso é codificado fisiologicamente. A percepção da cor ocorre quando este código fisiologico, feito a partir do fluxo luminoso, é interpretado culturalmente.

Para trabalhar com a cor em projetos, um profissional precisa ter em mente a percepção da cor, isto é, o processo como um todo.

Antes de saber mais sobre a cor e utilizá-la em projetos, é necessário entender o que muitos estudiosos, vindos de diversas áreas, distribuídos pela nossa história, concluíram a respeito da percepção da cor. Alguns deles estudaram a cor para entender outros objetos de pesquisa, enquanto outros estudaram a cor por ela mesma, concluindo que a sua interpretação era importante na construção da percepção do nosso mundo visual. Assim, desde há muito tempo, a Teoria da Cor vem tomando forma.

O presente artigo se inicia explorando as ideias de Leonardo da Vinci sobre as cores, reunidas em seus escritos e evidenciadas em seus trabalhos artísticos. Segue-se apresentando as diferenças entre cor-luz e cor-pigmento que se estabeleceram a partir das diferenças de pensamento entre Newton e Goethe.

A viagem pela História da Teoria da Cor continua com um dos maiores pesquisadores da cor de todos os tempos, Michel-Eugène Chevreul, e a sua Lei do Contraste Simultâneo das Cores. Finaliza-se este assunto com uma breve passagem pelas pesquisas mais recentes, indicando possíveis continuidades e descontinuidades nos caminhos da Teoria da Cor.

Boa leitura!

A Teoria Vinciana das Cores

Leonardo da Vinci viveu entre 1452 e 1519. Foi uma das principais figuras do chamado Renascimento italiano e produziu obras que são bastante conhecidas e imitadas como a “Monalisa”, que é um dos grandes ícones da história da pintura mundial e, até hoje, é imitada em várias técnicas.

Além do seu trabalho artístico em pinturas, Leonardo da Vinci foi um dos primeiros a reunir os dados existentes em direção à criação de uma Teoria da Cor. A única divisão e classificação aceita dos seus manuscritos é a chamada obra vinciana, onde se reúnem os escritos incidentais e os escritos sistemáticos. Dentro dos chamados escritos sistemáticos estão o Tratatto della Pintura, no qual estão reunidas as anotações de Leonardo sobre a cor e a pintura. O conteúdo do Tratatto é fundamentalmente dirigido aos pintores, contendo elementos básicos de Óptica, da Física, da Química e da Fisiologia.

A contribuição importante de Leonardo da Vinci para a Teoria da Cor foi a sua demonstração da interferência da cor do ar no processo de percepção do mundo visual. Leonardo afirma em vários trechos de seus manuscritos que, para ele, a cor do ar é azul, sendo mais ou menos escurecido quanto mais ou menos esteja carregado de umidade. Esta conclusão o leva a acreditar que quanto mais longe estava o modelo do pintor, mais carregado de azul ele deveria ser representado. Pensando logicamente, se um objeto estava perto do pintor, teria menos ar, em quantidade, entre o pintor e o objeto, enquanto que se o objeto estivesse longe do pintor, mais ar teria entre os dois, o que deixaria “mais azul”.

Este pensamento se tornou regra para Leonardo e ele o escreveu em seus manuscritos para que os outros pintores pudessem utilizá-lo em sua produção. Essa regra foi utilizada exaustivamente, a ponto de contribuir para a construção simbólica de “distância” no azul.

Justificando essa regra, Leonardo escreveu sobre a chamada “perspectiva aérea”. Ele acreditava que a “perspectiva linear” não era suficiente ao pintor para mostrar a distância e, assim, propunha que se utilizassem as cores, principalmente o azul, para garantir a sensação de distância e realismo às imagens produzidas pelos pintores do Renascimento.

Ele mesmo utilizou a perspectiva aérea juntamente com a perspectiva linear em seus trabalhos como podemos observar na obra “A Virgem e o menino em Sant Ana”, onde se pode perceber a utilização do azul na construção da sensação de distância entre as figuras principais e a paisagem.

Outra preocupação de Leonardo foi a definição de quantas e quais seriam as cores primárias essenciais. Leonardo define as cores primárias chamando-as de “cores simples” como aquelas que não podem ser feitas pela mescla de outras cores. São cores simples para ele, o branco, o amarelo, o verde, o azul, o vermelho e o preto.

Nesta definição estão as três cores primárias físicas e as três cores primárias químicas, somando-se a elas o branco e o preto. Atualmente, a Teoria da Cor determina que se as geratrizes forem o vermelho, o amarelo, o verde e o azul, tanto as cores-luz quanto as cores-pigmento podem ser obtidas através delas, ou seja, toda a coloração da natureza.

Estudando as cores complementares, Leonardo caminha pela análise dos “contrastes simultâneos”. A observação desse tema influencia diretamente Goethe e Chevreul em suas pesquisas cromáticas.

Ele foi o pintor renascentista mais preocupado com o estudo da sombra e luz, percebendo que entre a luz e as trevas há um meio de revelação dos fenômenos cromáticos. Assim, abre caminho para as futuras teorizações das sombras coloridas, sombra de coloração complementar à cor do fundo, onde ela surge.

A afirmação de que o branco é o resultado do somatório de outras cores foi feita por Leonardo muito antes de Newton. O que a Física chama hoje de síntese aditiva, Leonardo já havia descoberto, provando ser o branco a soma de duas cores complementares. Toda a teoria cromática dos tempos modernos baseia-se nesta descoberta.

Leonardo foi capaz de idealizar elementos especulativos em projetos avançados das ciências e das artes, impossíveis de se concretizar em nível prático de desenvolvimento técnico e social em seus dias. Visionário, suas pesquisas e soluções correspondem muito mais aos anseios futuros da sociedade moderna do que às necessidades do século em que viveu.

Ciência da Cor ou Teoria da Cor? As Contribuições de Newton e Goethe

As demonstrações e definições matemáticas para os fenômenos cromáticos começam a ficar mais precisas a partir do século XVII, com Isaac Newton, que viveu entre 1642 e 1727 e foi responsável por um estrondoso progresso nos estudos sobre a luz.

Quando se pensa em Isaac Newton, se fazem duas imediatas associações: a primeira em relação às leis da gravidade, e a segunda com respeito aos seus trabalhos sobre a luz. O início das grandes descobertas de Newton em ciência data de um período de dezoito meses após sua graduação na universidade (1665-1667). Durante esse período fez precisas descobertas no campo da Óptica, envolvendo além da Matemática pura e da Mecânica celeste, aspectos relacionados à luz e à cor.

Com um prisma de vidro triangular, Newton fez experimentações no campo do fenômeno das cores. Onde outros haviam apenas exibido os espectros coloridos produzidos pelo prisma, Newton analisou os fenômenos da dispersão e da composição da luz branca. Suas experiências mostraram que a luz branca, ou luz solar, era uma mistura de luzes de várias cores, componentes hoje chamados de radiações monocromáticas.

Através das experimentações com o prisma, Newton mostrou que a separação da luz branca nas suas componentes de diferentes cores (espectro) dá-se pelos diferentes desvios sofridos pelas componentes ao atravessar o prisma. Os desvios propriamente ditos se devem ao fenômeno da refração, enquanto que as diferenças entre esses desvios se devem à dispersão do índice de refração do prisma (o índice de refração é uma função do comprimento de onda que está associado à cor da luz).

Para provar que estava certo quanto a estes desvios, idealizou um experimento onde permitia que um estreito raio de Sol entrasse por um pequeno orifício na janela de seu próprio quarto escurecido, passando pelo prisma e produzindo um espectro. Em seguida, utilizando um anteparo opaco, com um pequeno orifício, Newton separou deste espectro feixes de luz de uma só cor, deixando-os passar através de um segundo prisma.

Quando esta radiação monocromática passava pelo segundo prisma, emergia sem qualquer modificação de cor, levando-o à conclusão de que o segundo prisma apenas produzia outro desvio de direção, isto é, estas radiações não poderiam novamente se dividir em outros componentes com diferentes propriedades.

As investigações sobre os fenômenos cromáticos levaram Newton à compreensão da manifestação cromática nos objetos, em função da luz que absorvem e refletem. No que se refere aos estudos cromáticos, os trabalhos de Newton são considerados atualmente um marco no desenvolvimento da ciência da cor. A chamada Ciência da Cor está contida na Teoria da Cor e é definida como o estudo dos aspectos físicos da cor.

Os fundamentos deixados por Newton influenciaram os trabalhos dos pesquisadores do século XVIII que, se não o copiavam, adicionavam pouco ao que ele já havia dito. Apesar disso, não se pode dizer que no século XVIII não existiu um nome igual ao de Newton associado aos estudos dos fenômenos cromáticos.

No final daquele século um nome famoso na literatura apareceu no cenário dos estudos sobre o fenômeno das cores: Johann Wolfgang von Goethe.

Goethe nasceu em 1749, tendo a juventude mergulhada em intensa inquietação intelectual e cultura clássica. Sua paixão pela ciência das cores data desta época, quando se inicia na prática da pintura e do desenho.

Uma das principais polêmicas instaladas no livro Doutrina das Cores é a disputa entre o idealismo alemão de Goethe e a óptica mecanicista de Newton. Por mais que olhasse para uma parede branca através de um prisma, Goethe não conseguia se convencer das ideias de Newton e, a partir disso, dedica vários anos a demonstrar sua intuição utilizando experiências com prismas e lentes.

Para Goethe, a luz era o ser mais simples, indivisível e homogêneo conhecido e, sendo assim, não poderia ser dividida em luzes coloridas como afirmava Newton, pois uma luz colorida seria sempre mais escura que a luz incolor.

Newton e Goethe iniciaram suas experimentações de cor por pontos de vista totalmente diferentes. Goethe não estava interessado em estabelecer critérios para a produção da cor enquanto fenômeno além da Física. Para ele não bastava concluir que a cor surgia da luz branca, mas também a influência dos aspectos fisiológicos na visão cromática. Portanto, a diferença entre as interpretações de Goethe e Newton passa também pelos critérios e métodos de comparação. Newton era um físico experimental, e como tal adquiriu uma visão do experimento independente do observador. Acreditava ser a natureza um grande sistema, regulamentado por leis precisas, baseando suas propostas na descoberta de algumas dessas leis.

Este tipo de postura era questionável para Goethe. O homem era para ele parte da natureza e, portanto, acreditava na observação mais direta dos fenômenos naturais. Se a luz branca era uma sensação simples e única, então ela deveria ser um fenômeno simples e único. Para ele, as cores eram, em primeiro lugar, ideias subjetivas ou coisas que existiam apenas em nossa percepção. Esse modo de pensar ajuda-nos a entender seu enorme esforço em demonstrar que as opiniões de Newton estavam incorretas e também seu comportamento hostil diante delas.

Segundo Goethe, haviam três formas de manifestação do fenômeno cromático: as cores fisiológicas, as cores físicas e as cores químicas. As cores fisiológicas eram as que pertenciam aos olhos e que dependiam diretamente da sua capacidade de ação e reação. As cores físicas de Goethe eram aquelas cuja origem se devia a fontes de luz refletidas pelos objetos coloridos, hoje denominadas cores-luz. Por fim, as cores químicas eram aquelas dependentes das substâncias químicas que formam os objetos, hoje denominadas cores-pigmento.

As derivações do branco e do preto também foram equacionadas. Encontrado no mundo vegetal, através da combustão e do carvão, o preto é considerado por Goethe como menos primordial que o branco. Para ele, o branco ao escurecer, tornava-se amarelo, e o preto, ao clarear, tornava-se azul e se intensificavam na medida em que se saturavam.

O círculo cromático de Goethe é um dos fundamentos de sua doutrina. Nele, o azul e o amarelo, o verde e o púrpura estabelecem entre si uma relação de complementaridade e indicam as possibilidades de combinação entre as cores básicas, formando as cores intermediárias.

Outro ponto de diferenciação entre as opiniões de Newton e Goethe diz respeito à cor verde. Goethe concordava com a visão dos meios artísticos de sua época, os quais tinham o verde como uma cor composta pela combinação do amarelo e do azul, e não uma cor simples, espectral como defendia Newton.

Na verdade, os dois estavam corretos em suas afirmações. Por um lado, Newton discorria sobre as cores espectrais ou cores-luz, explicadas pela síntese aditiva, enquanto Goethe estudava as cores-pigmento, que sob a síntese subtrativa têm o amarelo e o azul produzindo o verde.

Com o trabalho da Doutrina das Cores, Goethe passa a fazer parte da galeria dos pesquisadores da cor como um importante estudioso. Dentre os pesquisadores de sua época, é o que exerce maior influência sobre os intelectuais e artistas contemporâneos na utilização dos princípios cromáticos.

Chevreul e o Contraste Simultâneo das Cores

Os trabalhos de Michel-Eugène Chevreul influenciaram intimamente as artes visuais dos séculos XIX e XX.

Considerado um grande cientista na área da Química, em 1824, aos 38 anos de idade, foi contratado como diretor do “Ateliê de Tinturaria” em Paris, como químico, com a árdua tarefa de melhorar a qualidade da produção em tapeçaria. Aquele era o departamento técnico de tinturaria, responsável por fornecer obras de tapeçaria, além de todos os materiais técnicos para as autoridades francesas oficiais.

Quase que imediatamente, Chevreul percebeu uma grande falha na qualidade do fornecimento da tinta preta e rapidamente concluiu que isto não poderia ser somente um problema químico dos procedimentos de tinturaria, mas também um problema ligado à percepção visual dos contrastes simultâneos. Este primeiro problema o habilitou a publicar, em 1839, o seu famoso livro “Da lei do contraste simultâneo das cores”. Neste livro, Chevreul mostra suas conclusões a partir de observações visuais de como duas cores podem parecer muito diferentes do que “realmente são”, se influenciando mutuamente. Segundo ele, esta influência mútua aconteceria a partir de suas cores complementares.

A base do hemisfério consiste em cores organizadas em um círculo parecido com uma roda de bicicleta.

Além disso, o mais detalhado catálogo de cores até hoje se deve a Chevreul, com mais de 20 mil tons classificados teoricamente, partindo das cores saturadas e suas misturas até o branco e o preto por rebaixamento. Este catálogo permitiu-lhe a construção de seu sólido de cores na forma de um hemisfério visto na imagem anterior.

Ele idealizou este sólido de cor porque necessitava encontrar um sistema que o ajudasse a organizar suas amostras têxteis.

Sua principal obra relativa ao fenômeno do contraste simultâneo das cores, intitulada “Da Lei do Contraste Simultâneo das Cores”, procura explicar em bases científicas, aquilo que muitos pintores já utilizavam intuitivamente. As chamadas leis de Chevreul foram amplamente promovidas, por parecerem uma espécie de chave para a solução dos problemas de harmonia cromática. Com isso, ele influenciou e facilitou a análise de muitas obras e artistas, que faziam questão de afirmar a influência de Chevreul em seus trabalhos.

O grande princípio de toda a obra deste químico brilhante resumia-se em um único pensamento: “[quando colocamos uma cor sobre uma tela, não estamos colorindo somente aquela área mas toda a área restante da cor complementar a esta”.

Dentre as suas experiências com as cores, Chevreul definiu como a principal ideia os três tipos: o contraste simultâneo, o contraste sucessivo e o contraste misto, e também apresentou deduções de suas experiências com os contrastes. Baseado nessas experimentações, Chevreul desenvolveu um método para facilitar a percepção, chamado Método de Observação, estabelecido segundo uma tabela de combinações, que descreviam as influências sofridas pelas cores quando colocadas próximas de outras.

Segundo o princípio de Chevreul, quando duas cores são colocadas próximas, há influência recíproca de suas cores complementares. O quadro a seguir mostra o método de observação de Chevreul como o resultado de cada cor quando colocada próxima de outra. Por exemplo, quando o vermelho é colocado próximo ao laranja, recebe influência de sua cor complementar o azul, inclinando-se para o violeta. O mesmo acontece com o laranja, que influenciado pelo vermelho, inclina-se para o amarelo.

Além disso, Chevreul também enumerou leis gerais, tais como: “Todas as cores aumentam de valor sobre um fundo de valor sobre um fundo branco, aumentando também, ligeiramente, seu brilho”. Para ele, colocar o branco ao lado de uma cor seria destacá-la e colocar cinza ao lado de uma cor é torná-la mais brilhante. Da mesma maneira, o preto apagava todas as cores que lhe eram colocadas próximas.

Chevreul tinha uma grande preferência pelos cinzas, e atribuía um importante papel ao branco e ao preto na harmonia cromática. Em seus trabalhos, ele escreveu que os cinzas promovem contrastes de valor e não de tom, o que resulta em efeitos de contrastes simultâneos mais poderosos. Por isso, o grande pintor e gravurista Delacroix e o pintor de cinzas Ingres aderiram prontamente às suas ideias.

Os três fenômenos de contraste descritos por Chevreul são englobados pela ciência contemporânea dentro da denominação genérica de cores de contraste. Os fenômenos cromáticos estudados e demonstrados podem parecer bastante óbvios, mas a causa deles ainda permanece um mistério dentro da ciência.

Avanços na Teoria

Além dos autores já citados, outros também tiveram efetiva contribuição nos estudos das relações cromáticas, da visão cromática e da definição de um método de medida das cores.

Em 1801, Thomas Young movimentou as pesquisas em torno da cor no Royal Institute of London. Médico, fisiologista, físico, linguista e egiptologista, Young foi o primeiro a formular a hipótese de que a visão cromática é baseada na presença de três diferentes órgãos sensíveis à luz. Essa ideia é chamada teoria tricromática da chamada visão cromática e inaugura a chamada óptica fisiológica.

A teoria tricromática é retomada pelo físico, fisiologista, matemático e musicólogo alemão Hemann Lugwig Helmholtz. Helmholtz e seus colaboradores, dentre eles Arthur König, recolheram dados sobre a influência das diferentes cores nas três categorias de fibrilas nervosas (os chamados cones) da retina. Estes dados resultaram em curvas representativas que são divididas de acordo com as espécies de fibrilas: as pertencentes ao primeiro tipo apresentam-se energicamente estimuladas pela luz vermelha, as do segundo tipo são muito sensíveis à ação da luz verde e as fibrilas do terceiro tipo são facilmente sensibilizadas pela luz azul.

A influência do trabalho de Helmholtz e seus colaboradores na Teoria da Cor atual foi muito significativa. A produção e a reprodução de todas as cores naturais em televisão, fotografia ou impressão gráfica podem ser obtidas através destes princípios, fundamentados na existência de três tipos de receptores visuais destinados à captação das seguintes luzes coloridas primárias: vermelho (R: red), verde (G: green), azul (B: blue).

Porém, a teoria tricromática pelas mãos de Helmholtz não ficaria sem oposição. As mais consistentes opiniões contrárias às ideias de Helmholtz vieram dos círculos que têm o lado psicológico da cor em alta consideração. O líder nestes círculos foi Edwald Hering, que estabeleceu uma diferença existente entre as cores primárias percebidas e as cores primárias que funcionam como estímulo. Nas cores-luz seriam estímulos: o vermelho, o verde e o azul e; nas cores-pigmento opacas seriam: o vermelho, o amarelo e o azul, mesmo sabendo da inexistência de receptores retinais específicos para o amarelo.

Por um longo tempo, os simpatizantes das teorias relacionadas a Helmholtz e os simpatizantes das opiniões de Hering ficariam assim divididos. Mais tarde ficou provado que a fusão das partes mais importantes de ambas as teorias era a única solução, isto é, os processos na retina atuariam de acordo com a teoria tricromática, através da qual se produziria a sensação cromática, enquanto que a teoria de Hering estaria inserida na série de processos pelos quais se produziria a percepção cromática.

O método de redução das cores surge paralelamente com o físico escocês James Clerk Maxwell, o primeiro a determinar experimentalmente as funções de combinação de cores ou valores triestímulos para o espectro visível e que reproduziu em 1859 uma imagem em cores por síntese aditiva. Para a realização de qualquer processo cromático, tem-se que inicialmente proceder a seleção de cores, através da decomposição nas três cores primárias. As primárias instrumentais de Maxwell foram as radiações monocromáticas de comprimento de onda 631 nm (vermelho), 526 nm (verde) e 457 nm (azul). As teses de Maxwell no campo da óptica fisiológica complementaram os trabalhos de Young e Helmholtz.

A busca da compreensão dos fenômenos cromáticos sempre foi uma constante no trabalho de grandes pesquisadores, formando o que conhecemos hoje por Teoria da Cor. A importância da compreensão desta teoria se traduz não só na produção artística, como também na utilização das cores como linguagem simbólica na propaganda, na comunicação visual, na indústria, na comercialização de corantes, e muitas outras.

Conclusão

Vimos ao longo desse artigo, as contribuições de oito pensadores que deixaram um legado inestimável para a compreensão dos aspectos físicos, fisiológicos e simbólicos da Teoria da Cor e que servem como alicerces na aplicação das cores em trabalhos de design.

Leonardo da Vinci inaugurou o conceito de “perspectiva aérea” em suas obras de arte, destacando o aspecto azulado do ar, à medida em que os objetos retratados mais distantes do pintor teriam uma coloração mais azulada, concedendo maior realidade à pintura. Além disso, defendia que as cores essenciais eram o vermelho, o amarelo, o verde, o azul, o branco e o preto que seriam as três cores físicas e as três cores químicas primárias, somando-se a elas o branco e o preto.

Newton, por sua vez, através de seus experimentos, concluiu que a luz solar era, na verdade, composta de vários feixes de luz coloridos, as chamadas radiações monocromáticas. Já Goethe inaugura o estudo dos fenômenos cromáticos partindo da ideia da percepção da cor como algo diverso da simples sensação da cor, ou seja, para ele, as cores eram ideias subjetivas e que existiam apenas como frutos da nossa percepção.

Dentre esses pensadores, talvez, o maior nome seja o do químico francês Chevreul. Ao apresentar sua teoria do Contraste Simultâneo das Cores, Chevreul afirma que as cores se influenciam mutuamente, parecendo diferentes à medida que interagem entre si.

Por fim, temos as contribuições de Helmholtz e sua teoria tricromática da cor, na qual, nossos olhos teriam três receptores, cada qual para uma cor primária específica: o vermelho, o verde e o azul. Hering, contrariando as ideias de Helmholtz estabelecia a diferença entre as cores primárias percebidas e as cores primárias que funcionam como estímulos. Maxwell, por sua vez, buscou conciliar as teorias de Helmholtz e Hering, passando a determinar as funções de combinações de cores ou valores triestímulos para o espectro visível a partir da reprodução de imagens em cores por síntese aditiva.

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